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quinta-feira, 22 de julho de 2010

118 - Zabriskie Point (1970)


A impressão é de que Antonioni é incapaz de produzir uma imagem cinematográfica que desagrade os olhos. Mas como obra "Zabriskie Point" não é um primor. Cenas marcantes como o momento da sedução do jovem casal enquanto um está no carro e o outro num avião é belíssima. É dessas que você nem nota que o tempo tá passando de tão cativantes que são.

O recheio do filme é que parece estar um pouco fora do lugar. Tem gente que acha os filmes de Antonioni lentos e enfadonhos. Eu não acho, mas esse peca um pouco e acaba dando razão ao comentário. Os atores parecem também estar perdidos, meio sem saber o que estão fazendo nesse filme (não são atores profissionais). No final, vale conferir como uma obra que integra o conjunto de um grande diretor.

Nota: 6,5

sexta-feira, 16 de julho de 2010

108 - Blow-up - Depois Daquele Beijo (Blowup, 1966)


O conto de Antonioni sobre a geração desinteressada. Imagens soberbas e muito pouca coisa acontecendo para falar de mais coisas do que se pode. O protagonista, como você vai logo perceber, é a figura mais carente de simpatia que eu já vi. Você não vai gostar dele e talvez isso seja proposital.

Ninguém que aparece durante o filme parece estar preocupado com alguma coisa. O crime que acontece, ou que é descoberto por meio de uma observação meio acidental de fotografias, nunca toma o foco principal, parece um borrão insignificante num mosaico bem maior.

É muito bonita, ao menos para mim, a forma como tudo vai caindo no esquecimento, em todas as cenas. No show de rock, o esforço do protagonista para pegar a guitarra, apenas para um segundo depois significar nada. Antonioni parecia estar querendo comunicar algo sobre a geração da swinging London, mas obviamente o paralelo ainda é atual e a gente pode se perguntar se a cultura da superficialidade não avançou um bocado ainda maior nesses quarenta anos.

Nota: 9,0

segunda-feira, 31 de maio de 2010

17 – Profissão: Repórter (Professione: Reporter, 1975)



Estilo de Antonioni bem presente aqui, com longos takes e muito pouca conversa. Os cenários durante todo o filme são fantásticos, a aridez de desertos na Espanha traduzem o que se passa com Locke, personagem de Jack Nicholson.

A exploração de takes longos é muito legal, especialmente um que mistura dois tempos do filme no mesmo take. O ponto alto fica mesmo com o clássico take de sete minutos final, em que descobrimos o que acontece ao personagem.

Nota: 9,0

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