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terça-feira, 31 de agosto de 2010

174 - Alice nas Cidades (Alice in den Städten, 1974)


Filmes que trazem uma bela garotinha inquisitiva e desobediente terão sempre o seu charme. Como é o caso de "Sabine Kleist". Este é o primeiro filme da trilogia de filmes-viagem de Wim Wenders. Ele começa a abordar temas como a cultura americana, que tem um reflexo viral e alienante sobre o resto do mundo, especialmente a Europa daquela época.

A crítica à televisão, como ela é uma propaganda interminável e seus programas são propagandas adicionais disfarçadas. O personagem de Philip deve cuidar da pequena Alice até que sua mãe retorne. Existe muita beleza no fato de ele não a entregar de imediato a autoridades quando a mãe não aparece para buscá-la.

Como se o protagonista estivesse se opondo a toda aquela cultura que estava vivenciando, que registrava com sua Polaroid. Preste atenção que ele é simplesmente incapaz de escrever sua matéria a princípio. Como não houvesse ali história, como não houvesse naquele lugar plástico e inóspito algo que merecesse ser contado. Ele podia apenas olhar, e de uma forma julgadora. Eu, pessoalmente, prefiro este filme ao "Paris, Texas". Tem mais dos elementos que me comovem em cinema.

Nota: 10

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

167 - Peur(s) du noir (2007)


Eu simplesmente adorei este filme. Ele é completamente trabalhado em duas cores, o preto e o branco, e aborda temas sombrios e, como o próprio nome diz, o medo do escuro.

O filme é composto de três segmentos. O que mais me atraiu e me sensibilizou foi o primeiro segmento em que um garoto tímido e com uma intensa fixação sobre a vida dos insetos começa, ele próprio, a se transformar num gafanhoto quando conhece uma garota. Verdadeiramente fantástico, esse filme mexe com a gente.

Nota: 10

164 - A Cigarra e a Formiga (Strekoza I Muravey, 1913)


Realizado em 1913, este curta traz a fábula épica da cigarra e a formiga. O filme é russo e utiliza técnica de stop-motion. A gente fica impressionado com a eficiência dessa técnica para a narrativa que ela se propõe. E se muito de vocês, como eu, leram essa fábula em livros infantis quando pequenos vão gostar de saber o verdadeiro final e verdadeira moral da história. Filme fantástico de arrepiar a espinha.

Nota: 10

terça-feira, 3 de agosto de 2010

131 - Gainsbourg, Vida Heroica (Gainsbourg, Vie Héroïque, 2010)


O grande e certeiro êxito desse filme é tratá-lo não como uma biografia tradicional, daquelas que parecem ter saído de um livro-texto padrão, mas como uma fábula. Uma fábula em que não há datas, não há amor aos fatos, mas há muito amor ao personagem reverenciado.

O diretor é o francês Joan Sfar que é um artista de comic books (desenhista, escritor), um dos mais influentes de sua geração. Ele deu vida a uma biografia ensolarada e fantasmagórica ao mesmo tempo, em que diversos elementos do universo dos quadrinhos dão as caras. O filme é arrebatador, principalmente quando você percebe que se trata de algo a mais do que uma mera cinebiografia.

Destaque para as belas mulheres que interpretam as musas da vida de Gainsburg. Agora, paremos por um momento para ficar embasbacados com uma das melhores entradas de personagem do cinema mundial, estou falando da entrada que faz "Brigitte Bardot", interpretada pela excelente atriz Laetitia Casta (sua entonação o fará acreditar que Bardot voltou às telas), trazendo à mão a coleira do seu imponente cão Collie, com a maquiagem carregada ao melhor estilo anos 1960. Acredito que Brigitte seja uma mulher tão impactante que sua entrada precisou durar o tanto que durou. Os quarenta segundos em que caminha pelo corredor do prédio de Serge, enquanto toca a música feita especialmente para ela (Gainsburg gravou esta canção que se chama "Iniciais BB") é irretocável. Essa cena só poderia ter saído da cabeça de um diretor homem (risos).

São esses e outros momentos que enfeitam de cerejas deliciosas o bolo que é este fime. A gente fica com uma sensação boa de que aqueles anos em Paris foram mesmo tudo que podemos imaginar. A figura de Serge foi bem representada pelo ator Eric Elmosnino, você perceberá uma semelhança incrível entre os dois. Estes filmes em geral sempre me impressionam do ponto de vista da direção artística. Diversão e emoção garantidas. Este também tem selo de qualidade aqui do blog 1000 filmes.

Uma curiosidade triste sobre esse filme é que a atriz Lucy Gordon, que interpretou o papel de Jane Birkin, cometeu suicídio pouco tempo antes de o filme ser lançado. O filme foi dedicado a ela. Talvez você já a tenha visto em filmes como "Bonecas Russas". Muito triste que isso tenha acontecido.

Nota: 10

domingo, 25 de julho de 2010

121 - Flickan (2009)


Sublime. O diretor sueco Fredrik Edfeldt filmou com maestria o roteiro da talentosa Karin Arrhenius.

Quando se encontra sozinha em casa, após terem seus pais viajado à Africa numa aparente cruzada contra a AIDS, e também depois de ter sua tia a deixado para tentar talvez sua última chance de ser feliz com aquele que diz amar, a garotinha do filme precisa aprender a se cuidar.

Uma trama mais simples seria impossível. A beleza está em cada cena que parece ter sido cuidadosamente fotografada para ser linda. Os imensos verdes da cidade de interior, o momento em que Blanca Engström (a principal, muito jovem e já talentosíssima atriz) se esconde por trás de alguma vegetação na praia a espreitar o garoto Ola, o momentos de solidão intensa em que se pinta de negra. Enfim, o trabalho de câmera, pode-se dizer, sendo bem clichê, é impecável.

É muito inspirador assitir a um filme sem exagero algum, que explora com aquele olhar escondido e insistente um tema tão universal quanto o amadurecimento e a constatação de que estamos mesmo sozinhos para cuidar de nós próprios. A cena final é de uma simplicidade poética esmagadora, dessas que, se você estiver entregue, pode romper em choro compulsivo.

Todo mundo se identifica com esse filme que não pode ser classificado como nada menos do que belíssimo.

Nota: 10

sábado, 17 de julho de 2010

110 - Um Cão Andaluz (Un Chien Andalou, 1929)


É o primeiro filme de Luis Buñuel. E ele não poderia ter estreado de maneira melhor, contando com a presença luxuosa no roteiro de ninguém menos do que Salvador Dalí.

O filme de 1928 é considerado o primeiro a abordar temas surrealistas. Assista e fique impressionado com o impacto que esse filme te causa. Imagens fortes, bem fortes, vindas de um anos 20 que você nem sabe que existiu. O filme termina, mas não te deixa. Sublime.

Nota: 10

terça-feira, 13 de julho de 2010

98 - O Pequeno Nicolau (Le Petit Nicolas, 2009)


Baseado no livro infantil francês, criado por René Goscinny e ilustrado por Jean-Jacques Sempé, este filme é um exemplo maravilhoso de como transpor a atmosfera de um livro para um filme.

Os personagens estão todos impecáveis. O pai de Nicolas, com seu jeito brigão, a mãe sempre preocupada e o pequeno Nicolas sempre "viajando na maionese". Eu já tinha o exemplar do livro em francês e fiquei contente com o lançamento do filme. Rola sempre um medo de decepcionar, mas não é o caso. Desde a introdução, em que vários elementos dos contos já são apresentados, passando por uma maravilhosa arte visual com as ilustrações de Sempé, o filme não dá uma nota fora da escala.

Sublime, leve e um filme infantil de responsa, como eu absolutamente nunca vi. Geralmente os filmes infantis tendem a pensar que as crianças são seres imbecis e incapazes. Filme altamente recomendável.

Nota: 10

sexta-feira, 2 de julho de 2010

76 - Cenas De Um Casamento (Scener ur ett äktenskap, 1973)


Um dos melhores filmes de Bergman e dos melhores que já vi. O casamento de Josef e Marianne vai se desintegrando, mas o sentimento dos dois permanece e é retratado com incomunicabilidade, desejo e agressão.

Temos a sensação de voyerismo durante o filme, parece que estamos escondidos atrás de um móvel ou algo do tipo. O filme nos leva durante o curso de dez anos na vida desse casal e é talvez o mais bem feito estudo sobre a instituição do casamento já feito no cinema. Tem selo de garantia do blog 1000 filmes.

Nota: 10

sábado, 5 de junho de 2010

52 – I Am So Proud of You (2009)


I am so proud of you é na realidade o segundo segmento de uma trilogia animada criada pelo americano Don Hertzfeldt. O primeiro curta se chama Everything will be ok (premiado pelo Juri no festival de Sundance, em 2007) e traz o personagem de Bill, um everyday joe acometido de uma disfunção mental. O segundo, traz o mesmo Bill às voltas com lembranças e percepções mundanas que vão um pouco mais fundo do que o texto sugere.

A técnica de Hertzfeldt é caprichada e evita propositadamente o uso de computadores. Assim, a mistura de traços feitos à mão (os personagens são envolventes stick figures), com vídeos, e outros malabarismos visuais, encanta o público.

A temática dos filmes contempla a mortalidade de maneira crua, mas ainda assim poética. Filme esplendoroso que merece toda atenção e respeito.

Nota: 10

quinta-feira, 3 de junho de 2010

45 – Estamos Todos Bem (Stanno Tutti Bene, 1990)


Este filme de Giuseppe Tornatore é fantástico. Seja pela atuação calorosa e carismática dada por Mastroianni, seja pela delicadeza com a qual o tema é abordado, o filme vale muito a pena. A princípio vemos um pai muito empolgado em ir visitar seus filhos que vivem espalhados pela Itália. Esse siciliano sai distribuindo sorrisos e conversas com quem encontra, divulgando os sucessos de cada um de seus filhos. Mas não é bem assim que as coisas são na realidade.

Atenção para a linguagem simbólica. Prazer garantido para quem gosta de um olhar agridoce sobre essa existência que parece tão aleatória e irrelevante quando examinada de perto.

Não é necessário o comentário, mas este é bem superior do que a versão americana e mais bobinha já comentada aqui no blog.

Nota: 10

segunda-feira, 31 de maio de 2010

34 – Horn Dog (2009)



Um cachorro apaixonado capaz de fazer tudo pelo amor da cadelinha. Mais um desses desenhos enlouquecidamente engraçados. Ótimo.

Nota: 10

18 – Salsito, El Musical (2009)



Essa galinha apareceu cantando que está na hora de ir pra aula e eu quase que tenho de ser carregado para a emergência hospitalar de tanto rir. Dois minutos de piração total.Fantástico!

Nota: 10

16 – Mary e Max (Mary and Max, 2009)



Com toda sinceridade, se você não adorar esse filme, há algo de essencialmente malígno a seu respeito. O primeiro longa de Adam Elliot se mostra bem redondinho, com um universo imagético fantástico, e por si só praticamente suficiente para segurar o filme até o fim.

Não fosse bastante, o tema abordado não é de fácil assimilação. Solidão, debilitação mental, rejeição, depressão colorem a trama com tons diferenciados de marrom e cinza, respectivamente Melbourne e Nova Iorque. Em momento nenhum cai no puro mórbido ou no puro humor negro. Pelo contrário, esta claymation se arrisca em campos temáticos pouco ou nada explorados por animações de longa duração e consegue manter um improvável tom caloroso.

Fique surpreso com o excelente trabalho de Phillip Seymour Hoffman fazendo a voz de Max, um sotaque judeu delicioso. Rejeite os rótulos de filme fofinho e, se puder, compre este belo trabalho do diretor australiano Elliot, que tem tudo para ainda trazer obras incríveis ao público.

Nota: 10

quinta-feira, 20 de maio de 2010

11 – Harvie Krumpet (2003)



Essa excelente animação em técnica de stop motion traz a história de Harvie Krumpet, um adorável outsider. A narração fica por conta de Geoffrey Rush. É encantador o filme, acho impossível alguém não gostar. Só nos primeiros segundos você já vai se entregar – em parte porque é golpe baixo usar Cannon em Ré maior, acho que faz qualquer coisa ficar boa.

A vida improvável de Harvie traz sempre uma nova surpresa. O design de personagens é impecável. Ganhou o primeiro selo Nota 10 do blog. Assista esse vencedor do Oscar de 2003 de animação e não se arrependerá.

Nota: 10

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