
A trama me lembra aquelas boas ideias que se tem preguiça de desenvolver mais profundamente. Algo como alguém que acaba de pensar um fio condutor interessante e pensa ser o bastante para impressionar o público. Não deixa de nos proporcionar uma reflexão sobre como se consome cinema hoje. Parece que pensar não faz parte do programa, da saída, e é até mesmo reprovável que o conteúdo consumido tenha algo além daquele momento sensorial. Ainda sobre sentidos, parecem pensar que nossa visão e audição já estão tão avacalhadas pela mediocridade que se consome, que o espetáculo visual e barulheira dos filmes estão alcançando níveis de pura irracionalidade.
Por intricado que seja o desenrolar do filme, não significa que a gente tenha que pensar. Parecem desdobrar-se infindáveis tentativas de impressionar a audiência enquanto o filme vai caminhando até seu final, mas nada adianta. A propósito, ficam em nossas cabeças várias questões não resolvidas sobre o enredo. Lembro de quando eu assistia "De Volta Para o Futuro II" e ficava pensando em como aquilo poderia acontecer e tudo meio que se encaixava, ou fazia sentido num aspecto puramente hipotético. Aqui, isso não acontece, e fica aquela sensação de que o filme está compulsivamente insultando nossa inteligência.
O elenco está muito mal aproveitado nesse filme ingenuamente pretensioso e raso do diretor Cristopher Nolan. Com exceção de Marion Cotillard (que, para mim, parece incapaz de fazer uma participação automática, indiferente), todos estão limitados de uma forma ou de outra. Ellen Page, muito apagada, parecia deveras desinteressada no que fazia.
Enfim, uma grande pena. Eu me interessei em ver o filme quando li algo à época de sua estreia nos EUA. Longo, com uma pompa exagerada e injustificada, "A Origem" decepciona bastante.
Nota: 5,5