segunda-feira, 12 de julho de 2010

97 - Eclipse (The Twilight Saga: Eclipse, 2010)


Você entende já de cara que esse filme não foi feito para você, mas para a menina ao lado que tem o nome "Jacob" pintado em uma bochecha, e "Edward" na outra.

A direção anda mais emo do que nunca, com longas cenas de Bella Swan dividida na sua escolha cruel. Jacob sem camisa em nove das oito cenas em que aparece. Ponto alto para a piadinha em que Edward pergunta se seu rival não possui uma camisa. Ah, e ponto alto também para Kristen Stewart. Ela é uma atriz bem legal que ainda vai superar toda essa fase crepuscular.

Há uma cena constrangedora de ridícula, mas que certamente nutriu os sonhos de milhares de adolescentes ao redor do mundo, em que Jacob aquece Bella com seu corpo porque o namorado Edward, sendo um vampiro, é muito frio para a tarefa.

Os efeitos estão cada vez mais bem produzidos e ninguém duvida de que está entrando muito dinheiro nessa série. O filme acaba sendo bem divertido, mas acho que não pelos motivos certos...

Nota: 5,0

96 - A Colheita Maldita (Children of the Corn, 1984)


Baseado no conto homônimo de Stephen King, "Colheita Maldita" empolga nos primeiros minutos. Exatamente até a parte dos créditos iniciais. Depois daí despenca vertiginosamente até o desinteresse completo de quem está assistindo.

Há um efeito especial no fim do filme que não envelheceu nada bem e parece terrivelmente ridículo. Destaque para o menino malígno, mas acho que o ponto foi pro casting por escolher um garoto tão feio assim.

Nota: 4,0

domingo, 11 de julho de 2010

95 - O Lobisomem (The Wolfman, 2010)


Extremamente horrível e nada recomendável. Não alugue, não baixe, não assista. Dá pra entender a intenção do diretor Joe Johnston de tentar fazer um 'filme antigo" em 2010.

O logo da Universal Pictures estilizado aos anos trinta já dá o recado no início do filme. Parece interessante... Não é. Grandes atores como Benício del Toro e Anthony Hopkins parecem cansados na tela, desinteressados, esperando que seus respectivos lobisomens em CGI assumam o comando.

Nota: 3,5

94 - Adventureland (2009)


Kristen Stewart de volta, querendo se dissociar da saga Crepúsculo. O filme é do mesmo diretor de Superbad. Explora menos o lado cômico de ser adolescente e concentra-se em momentos importantes de transição. Detalhes legais do protagonista em momentos solitários e sua narração.

O filme é uma coleção de personagens engraçadinhos dos anos 80. Todos trabalhando num parque de diversões um tanto quanto decadente. Acima da média de quase noventa e nove por cento das comédias produzidas atualmente. Vale a pena.

Nota: 8,5

sábado, 10 de julho de 2010

93 - Consuming Kids - The Commercialization of Childhood (2008)


O documentário explora o aumento de publicidade voltada às crianças ao longo dos anos. Interessante o caráter informativo, embora carregue um pouco do clima de especias de TV do tipo "quero convencê-lo".

Fica claro que corporativas sem escrúpulos apostam sempre num público renovado e sem nenhum poder de pensamento crítico. Enfim, a publicidade de produtos mercadológicos já é em si mesma uma praga manipuladora, imagine os danos que causam quando são direcionadas às crianças.

Nota: 7,0

92 - Surpresas do Amor (Four Christmases, 2008)


Vince Vaughn dá o tom dessa comédia muito legal. Ele é mesmo o que salva o filme de ser um desses oportunisatas de natal, como um horroroso que vi há uns anos com Tim Allen.

O estilo cômico de Vince com textos que divergem da situação de cena e rápidos estão muito bons aqui, impede o filme de ficar monótono. Mas no final das contas, vence a breguice hollywoodiana de família ser a coisa mais importante.

Nota: 8,0

sexta-feira, 9 de julho de 2010

91 - O Desprezo (Le Mépris, 1963)


Não tem erro. Uma combinação belíssima de cores fortes, mar mediterrâneo, metalinguagem e Brigitte Bardot. Ainda de bônus tem Fritz Lang interpretando a si mesmo.

Desprezo é o que a personagem de Bardot vem a sentir pelo seu marido, que não é capaz de se impor, ou manter sua integridade artística perante um produtor de cinema americano. Godard lança farpas sobre o processo de fazer um filme.

Nota: 9,0

quinta-feira, 8 de julho de 2010

90 - Sabine Kleist, 7 anos (Sabine Kleist, sieben Jahre..., 1982)


Não é novidade no cinema explorar o imaginário infantil e lançar o olhar de uma criança sobre uma situação política difícil. O que eleva "Sabine Kleist" ao sublime é a menina Sabine. Esse é o único filme da alemã Petra Lämmel, que interpreta a garotinha.

Ela foge do orfanato em que mora e faz uma jornada pela Alemanha Oriental, encontrando dos mais diversos personagens. O filme é completo, não tem nada fora do lugar e emociona o tempo inteiro. Talvez o melhor que vi esse ano.

Destaque para a cena em que ela encontra o garoto polonês e outra em que é acusada por um senhora de estar roubando num mercadinho. Selo de garantia do blog 1000 filmes. Perfeito.

Nota: 10

quarta-feira, 7 de julho de 2010

89 - Para Minha Irmã (À Ma Soeur, 2001)


Catherine Breillat está de volta! Mais um filme pra deixar aquela sensação misturada no estômago. Admiro ela, gosto desse olhar verdadeiro e até irritante de sua câmera, sempre nos mostrando coisas que nós imaginamos, nos perguntamos, mas... nem sempre gostaríamos de ver num filme.

Acredito que ela faz filmes para se assistir sozinho, é isso que ela fez. E me parece que até a pior coisa que ela faça vale uma conferida no meio da madrugada, sozinho. Em "Para minha irmã" ela novamente explora uma mulher (como faz bem isso), uma menina gordinha e a relação com sua irmã. Ponto alto para momentos longos, insistentemente constrangedores e atuações na medida.

Nota: 9,0

88 - Infiel (Trolösa, 2000)


Houvesse sido dirigido por Bergman, acho que o filme seria melhor. Eu sei, você deve estar pensando que eu elogio demais esse diretor e estou perdendo o discernimento. Mas é que algumas coisas aqui ficam claras.

Primeiro que o filme foi longo demais, o que não possibilitou que as cenas densas tivessem ainda mais força. Há muito diálogo repetitivo e Liv Ullman como diretora poderia se valer melhor do roteiro do que ela fez, poderia fazer cortes ou mesmo junção de duas cenas. Deu a impressão de que tudo foi filmado da mesma forma, linha por linha até o filme chegar ao seu final.

Mas o filme acaba sendo bom, pois tem um roteiro legal e boas ideias para explorar. Só acho que esse tema daria resultado melhores. Fato interessante é que a casa onde conversam o diretor e a atriz fica na ilha de Färo e é a casa onde Bergman viveu nos últimos anos de sua vida.

Nota: 7,5

87 - Zazie no Metrô (Zazie dans le Métro, 1960)


Gargalhadas mil. Louis Malle em grande forma fazendo uma comédia caótica e louca com uma garotinha super carismática, a Catherine Demongeot. Tem até uma piadinha com a Nouvelle Vague no começo do filme.

É ótimo. O clima de loucura vai escalando para um final absolutamente sem controle. Repleto de cenas impagáveis, esse filme é obrigatário para você que curte o diretor e que gosta de ver o circo pegar fogo.

Nota: 10

terça-feira, 6 de julho de 2010

86 - Sonata de Outono (Höstsonaten, 1978)


Este filme de Bergman trata do acerto de contas de mãe e filha. A mãe é Ingrid Bergman, uma famosa pianista que não ofereceu a devida atenção a sua filha, Liv Ullmann.

Um drama sutil à Bergman e bastante amargo à medida em que vai progredindo. Atuações irretocáveis das duas, mas acho isso meio besta de se dizer a esse ponto.

O filme parece nos querer mostrar o tamanho da mágoa que Eva sente, algo que já não tem conserto, é como se ela quisesse que sua mão soubesse disso. O filme tem tons de outono do hemisfério norte. Tenho que aprender a falar sobre filmes de Ingmar se me repetir muito em elogios intermináveis.

Nota: 9,0

85 - Ervas Daninhas (Les Herbes Folles, 2008)


Muito legal essa ideia de como o acaso tem um poder transformador em nossas vidas. O filme fala disso de um jeito bem solto e divertido. Um mero acontecimento que se transforma em obsessão, que se transforma em mágoa e depois volta a ser obsessão. Daí já tem tanta gente envolvida que você acha aquilo tudo bastante normal.

Este filme de Alan Resnais vai ficando melhor a cada momento. As particularidades e nuances em transformação dos dois personagens centrais são bem interessantes. O final brinca bastante com a direção bizarra que os acontecimentos em nossa vida podem tomar. As imagens são bem agradáveis aos olhos, com boa composição, praticamente em todos os takes.

Só não sou muito fã desse aspecto meio ensaboado que tem o filme. Dá a impressão de que estou vendo uma novela, de que liguei às 15h da tarde na TV5. Vale muito a pena.

Nota: 8,0

84 - Não Matarás (Krótki Film o Zabijaniu, 1988)


Kieslowski é fantástico. Se você ainda não o conhece, aconselho veementemente. "Não Matarás" é mais um exemplo de boas imagens e intricadas emoções humanas.

A fotografia avermelhada é interessante e a cena da morte do taxista é deveras forte. Seria um filme irretocável se não fizesse parte do corpo de obra deste diretor, que é praticamente impecável.

Nota: 8,5

segunda-feira, 5 de julho de 2010

83 - Não Amarás (Krótki film o milosci, 1988)


Todo o talento de Kieslowski está presente e jorrando da tela nesse filme irretocável que é "Não amarás". Fruto de uma série de 10 episódios para a TV chamada "Decálogo", em que cada capítulo versava sobre um mandamento da bíblia, e considerado um dos mais importantes produtos cinematográficos do mundo, este filme é sublime em todas as suas imagens.

Atuações estupendas dos dois personagens centrais nos sugam para a trama como algum passante que para e vê os dois conversando numa esquina ao acaso. Vamos destacar Olaf Lubaszenko como o adolescente apaixonado. Espero não exagerar, mas acredito que seja uma das atuações mais comoventes que já vi no cinema. Momentos brilhantes acontecem quando ele corre em círculos na praça em frente ao edifício de Magda, com o carrinho de garrafas de leite, e quando ele finalmente entra no apartamento dela.

O final eleva o filme a uma categoria mágica. Sim, você estava achando o filme ótimo, mas o minuto final faz ele transcender a esfera do cinema e entra dentro de você como uma ideia misteriosa, como algo que estivera sempre adormecido há muito dentro de você. Este filme é para ter consigo e rever em vários momentos da vida, uma obra de arte com poder imenso de comover e nos tirar de uma linearidade de sentimentos.

Nota: 10

82 - Coisas Que Nunca Te Disse (Cosas Que Nunca Te Dije, 1996)


O segundo longa metragem da diretora Isabel Coixet já trazia alguns dos elementos mais característicos da diretora. Personagens perdidos em suas rotinas aparentemente vazias, voz off mais poética e abstrata, lugares distantes.

É um belo filme, e algo como um prenúncio dos próximos que estavam por vir. Só não é ótimo, mas vale para entender como o corpo de obra de um diretor específico vai tomando forma.

Nota: 7,0

81 - Choke - No Sufoco (Choke, 2008)


Choke é baseado no livro homônimo do escritor Chuck Palahniuk (Clube da Luta), e parece, numa primeira impressão, possuir todos os ingredientes para um filme estranho, divertido e até profundo.

Pena dizer que o filme não é nenhuma dessas coisas. Nunca vi um diretor errar tanto a mão quanto nesse filme. Cansativo de assistir, a gente não consegue sentir empatia por nenhum dos personagens. Sam Rockwell é o melhor em cena, mas, mesmo ao lado de Anjelica Huston, não é capaz de salvar a obra.

Desaconselho pesadamente este pobre feito repetitivo, redundante e vazio de qualquer característica que o redima. Você poderá contar em três dedos os momentos de comédia e é bom mesmo arranjar uma distração durante a tediosa uma hora e quarenta de exibição. Selo de extremamente decepcionante.

Nota: 4,0

domingo, 4 de julho de 2010

80 - Minha Bela Dama (My Fair Lady, 1964)


Musical com Audrey Hepburn bem divertido, baseado no livro Pigmalião de George Bernard Shaw. Comecei achando ela muito legal e engraçada no papel de Eliza Doolitle e seu sotaque cockney, mas o fato de ela não cantar praticamente nenhuma das canções é meio decepcionante.

Devem ter imaginado que ela traria bastante elegância ao personagem quando transformado em mulher da alta sociedade e funcionou sim. Audrey está bem bonita e elegante.

Nota: 7,5

79 - Almas Em Suplício (Mildred Pierce, 1945)


A atuação de Joan Crawford nesse filme lhe valeu o Oscar de 1946. Seu personagem é dessas mulheres determinadas que a despeito de todas as dificuldades conseguem dar a volta por cima e ter sucesso financeiro, um mundo geralmente representado como masculino.

Seu fraco é a filha ingrata, por quem tem um amor incondicional que a pode levar à ruína. Filme nos moldes noir. Vale a pena sempre prestar atenção em como a mulher é representada no cinema. Se tem sucesso financeiro tem que ser solteira, pois é incapaz de conciliar as duas coisas e, mesmo com todo o sucesso, ainda se encontra refém de suas emoções e pode se tornar alvo de malfeitores.

Nota: 8,0

sábado, 3 de julho de 2010

78 - Budapeste (2009)


Este filme brasileiro, baseado no romance de Chico Buarque, derrapa e derrapa. A gente fica lá torcendo pra gostar, torcendo pra sentir algo de interessante, qualquer coisa de poesia nas imagens. Mas parece que não dá. O roteiro puxa muito pro lado da literatura, os offs, algumas coisas patéticas como takes de frases pixadas no muro (poesia urbana, argh!).

Fica a sensação de que o cinema brasileiro não consegue nunca ser sutil, ser profundo. Os poucos bons momentos ficam com a confusão mental do protagonista e as belas imagens da cidade de Budapeste que por si só já proporciona toda composição necessária para um fotógrafo médio.

A cena final é de embrulhar o estômago, de um mal gosto gritante. Joga fora todo o pouco mérito do filme.

Nota: 5,5

77 - Ricky (2009)


Sempre achei curioso imaginar como pessoas lidariam com situações absurdas na vida real. E gosto dos filmes que abordam isso, ou tentam fazer isso. Não vou revelar que situação absurda é essa, mas quero dizer que o realismo duro com o qual tudo é apresentado, até com alta dose de monotonia me puxou direitinho pra dentro do filme.

O filme passa num instante, como um pássaro voando apressado, e nos deixa com muitas sensações, o que para mim é um aspecto muito positivo numa obra cinematográfica.

Este filme não é pretensioso, não alude grandes questões, nem se propõe a nos ensinar coisa alguma aparentemente, mas não entenda nada disso como falha. Ricky é uma refrescante surpresa no fim das contas e deixa aquele sorriso interior.

Nota: 8,5

sexta-feira, 2 de julho de 2010

76 - Cenas De Um Casamento (Scener ur ett äktenskap, 1973)


Um dos melhores filmes de Bergman e dos melhores que já vi. O casamento de Josef e Marianne vai se desintegrando, mas o sentimento dos dois permanece e é retratado com incomunicabilidade, desejo e agressão.

Temos a sensação de voyerismo durante o filme, parece que estamos escondidos atrás de um móvel ou algo do tipo. O filme nos leva durante o curso de dez anos na vida desse casal e é talvez o mais bem feito estudo sobre a instituição do casamento já feito no cinema. Tem selo de garantia do blog 1000 filmes.

Nota: 10

quinta-feira, 1 de julho de 2010

75 - O Retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray, 1945)


É a segunda adaptação desse romance de Oscar Wilde para as telonas que eu assisito. Fico achando que a linguagem para cinema, ou melhor, a intenção de atingir um determinado público impede que o resultado final seja legal.

Esta versão de 1945 supera e muito a apelativa de 2010, mas não acerta o alvo, em minha opinião. O foco nunca parece estar no cultivo do prazer pelo personagem, ou ainda, o foco foge do personagem central por vezes para dar lugar a um conto de arrependimento, um alerta sobre o que desejamos e o mal que isso nos pode fazer.

Ponto alto é a pintura de Dorian deteriorada por sua conduta moral diferenciada. A imagem é impactante, a gente gosta e acredita numa maldade maior quando vê aquilo. Ponto fraco é o ator engomadinho que interpreta Dorian.

Nota: 6,5

74 - Por Uma Vida Melhor (Away We Go, 2009)


Filme divertido com o Jim do "The Office", que tem seus bons momentos, mas que no geral não acerta o alvo.

O casal está à procura de uma mudança para a chegada do bebê e vão descobrir que não existe um lugar perfeito, um lugar em que a vida começa a simplesmente funcionar. É bonitinho, mas não passa disso.

Nota: 6,5

73 - Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's, 1961)

Alguns filmes entram para a história por ter criado um certo aspecto estético que remete a uma determinada época, este aspecto aqui se refere ao mundo da moda. Audrey Hepburn é o símbolo. Basta notar a quantidade de vezes que ela aparece com uma roupa diferente neste filme de Blake Edwards que não tem nada em absoluto de espetacular.

O diretor Blake, por sinal, não é nenhum artista na minha opinião. Sim, ele dirigiu a série "Pantera Cor-de-rosa", mas basta dizer que Peter Sellers fazia todo o trabalho por lá. Alguém que tem Sellers para arrancar risadas do público não precisa se preocupar com muita coisa, não.

Não acho que Audrey seja nenhum esplendor, mas entendo que à época sua beleza um tanto quanto off ganhou terreno nas telonas e fora dela. Um momento em que as loiras americanizadas estavam começando a cansar a vista. Ah, vale sempre lembrar que isso fala mais da moda, do que ela procurava na época. O filme é dessas comédias leves dos anos 60 que num futuro próximo iriam parir as pavorosas comédias românticas que hoje temos e se multiplicam como gremlins.

Nota: 7,0

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