quarta-feira, 29 de setembro de 2010

210 - O Ano Passado em Marienbad (L'Année Dernière à Marienbad, 1961)


Esse filme é um dos expoentes do movimento Nouvelle Vague. Foi revolucionário na época pela sua narrativa desordenada, cortes de câmera inusitados, uso diferenciado da trilha sonora e também uso de tempos diferentes e flashbacks que dão um clima um tanto surrealista a obra.

Mas acontece que eu não sou muito fã dessa coisa de ficar só apreciando o mérito técnico de uma peça cinematográfica e para mim foi uma experiência não muito agradável.

Nota: 7,0

209 - O Urso e a Boneca (L'ours et La Poupée, 1970)


BB num momento super divertido. Ela adorou participar desse filme e nós adoramos vê-la se divertindo tanto assim. Só achei que a comédia, à la psicodelia sessentista, não foi assim tão engraçada.

Nota: 7,0

208 - Sunshine Cleaning (2008)


Amy Adams é uma atriz de carisma incandescente. Tudo que ela faz acaba por me agradar no final. Emily Blunt também não faz feio e as duas criam uma boa química de relação entre irmãs que tentam levar em frente um estranho negócio próprio.

Parece-me um desses filmes singelos que procuram focar nas batalhas do dia a dia para fazer com que a vida tenha algum sentido, mas sem botar muito peso no aspecto dramático.

Nota: 8,0

207 - Garota Fantástica (Whip It, 2009)


Não gostei muito da estreia de Drew Barrymore como diretora. Seja porque a história do filme não me interessa de maneira alguma, seja porque a comédia não sobressai e acaba soando bem bobinho. Ellen Page, no entanto, é uma atriz bem talentosa e consegue imprimir alguma graça no filme. Achei bem filmadinho embora quisesse que terminasse logo.

Nota: 7,0

206 - Sweet Movie (1974)


Dificilmente você assistirá em sua vida um filme tão estranho e subversivo quanto "Sweet Movie". Rodado em 1974, este filme possui ainda a capacidade de chocar um público que está mais ou menos acostumado a ver "qualquer coisa" no cinema. Com um leve discurso político aqui e ali o filme parece ser na verdade uma imensa celebração à liberdade.

Nota: 7,0

205 - Joni Mitchell - A Woman of Heart and Mind (2003)


Momento para se deliciar com a obra memorável de Joni Mitchell. O documentário acompanha a carreira da cantora desde sua cidade natal Fort Macleod, no Canadá, até meados de 2001. A própria artista vai narrando sua história. É um grande presente para os fãs, na verdade.

Nota: 9,0

terça-feira, 28 de setembro de 2010

204 - A Última Música (The Last Song, 2010)


Miley Cyrus desenrola bem esse papel de adolescente absolutamente insuportável que, mesmo assim, tem um grande desejo de salvar o ecossistema. Filminho ridículo em todos os aspectos mas que ainda consegue ser melhor que "Dear John", que foi baseado em livro do mesmo autor, o Nicholas Spark, uma verdadeira máquina de escrever contos debilóides para mulheres.

Nota: 4,5

203 - Amor à Distância (Going the Distance, 2010)


Bem divertido de assistir e, obviamente, nada original. Drew Barrymore está notavelmente velha para interpretar esse tipo de personagem. Filme tão fast-food quanto o sanduíche que você acabou de comer antes de entrar na sala de cinema. Fora isso, rola uma risadas.

Nota: 6,5

202 - Terrivelmente Feliz (Frygtelig lykkelig, 2008)


Filme dinamarquês que é quase um thriller policial, mas que se torna bem interessante por se passar em um lugar onde aparentemente nada acontece. O policial Robert chega ao pequeno vilarejo imaginando que lá ficará por um ano. Logo, as coisas começam a fugir de seu controle e o vilarejo revela esconder bem mais do que os olhos podem supor.

Recomendo fortemente esse filme do diretor Henrick Ruben Genz, que foi baseado num livro. O filme passa uma atmosfera palpável (sentimos toda a opressão e hostilidade desse vilarejo morto) e os toques de comédia bizarra elevam essa obra acima de qualquer classificação de gênero.

Nota: 9,0

201 - Diário De Um Banana (Diary Of a Wimpy Kid, 2010)


Adaptação muito legal para o cinema do livro ilustrado de Jeff Kiney. Não é padronizado como muitos filmes desse tipo costumam ser. Divertido, esperto e bem feito.

Nota: 9,0

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

200 - A Verdade (La Verité, 1960)


Esse é o filme preferido da própria BB, entre os que ela atuou. Sua personagem é uma prisioneira e o filme se passa numa corte onde ela é julgada. Os temas habituais dos filmes em que ela atua aparecem aqui, como a vontade de viver sem se restringir a condicionamentos sociais. Uma atuação bem convincente de BB. Interessante é notar que ela se identificou muito com o personagem, já que era constantemente julgada pelo seu comportamento.

Nota: 9,0

199 - Karate Kid (1984)


Clássico dos anos 80 bem agradável. A interpretação de Pat Morita, como o Senhor Miyagi, possui algo de muito satisfatório, é bem memorável. Ponto fraco para o final, que parece ser tão apressado. Falo das lutas. Parece não haver clímax suficiente na última batalha. Mesmo depois que ele machuca a perna e volta.

Nota: 8,0

terça-feira, 21 de setembro de 2010

198 - Kytice (2000)


São sete contos que fluem de maneira muito agradável. Essas fábulas são de origem Tcheca, escritas por Jaromír Erben, em 1853. As imagens são mesmo lindas, cuidadosamente fotografadas e prazerosas de se olhar. Vale muito a pena para entrar em contato com um pouco da tradição folclórica da República Tcheca.

Nota: 8,5

domingo, 19 de setembro de 2010

197 - Karate Kid (2010)


Esse Jaden Smith não me convence. Enquanto alguns críticos chamaram de mistura perfeita de "arrogância e fragilidade", acho que ele é apenas um moleque muito do chato.

Mas o filme não é tão mal. Tentam fazer um remake bem fiel, e achei que o Jackie Chan se saiu muito bem no papel, adicionando um ar mais soturno que faltava ao Senhor Miyagi.

Nota: 7,0

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

196 - Shalako (1968)


Filme péssimo. Tadinha da Brigitte aceitando roteiros sem ler a torto e esquerdo. Mais um exemplo de produção grande e inútil, com um ator altamente superestimado como o Sean Connery. Resumindo, é só esperar o filme terminar.

Nota: 3,0

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

195 - A Culpa dos Pais (I Bambini Ci Guardano, 1944)


Se não é considerado o primeiro filme neorealista italiano, é tido como um dos primeiros gestos mais contundentes nesse caminho. Trata-se do quinto filme de Vittorio De Sica. Menos conhecido do que a obra-prima devastadora "Ladrões de Bicicleta", porém com semelhante esmero e carga emotiva.

A criança do filme, interpretada pelo ator Luciano de Ambrosis, é fantástica. Grandes olhos desprotegidos que te vão partir o coração em diversos momentos do filme. O pequeno Prico ama os pais. A gente começa vendo um passeio delicado no parque e, de repente, Prico encontra a mãe conversando com um estranho. Cena muito bonita em que uma bolha de proteção parece ter subitamente estourado, aquele conhecido mundo cheio de conforto do garoto acabou de ser invadido por uma força desestabilizadora - que podemos entender simplesmente como a vida "acontecendo", cheia de desordem e caos. Um amante da mãe surge no seio da família.

A cena final é um dos momentos mais bonitos do cinema de que tenho lembrança. Dessas cenas que te acompanharão para sempre onde você for, que te coloca em contato com algo bem mais importante do que uma simples peça cinematográfica. Isso, para mim, eleva o valor artístico ao patamar que todos deviam visar na feitura de uma obra. Filme belíssimo.

Nota: 10

194 - E Brigitte Criou Bardot (Et Brigitte Créa Bardot, 2007)


Documentário em que a própria Brigitte Bardot conta sua história. Sabemos do sufoco que eram os paparazzi, dos casamentos e dos sucessos de bilheteria. Mas eu diria que vale mais mesmo para acompanharmos o que ela tem feito da vida desde que deixou o cinema, o que pretende com sua fundação de proteção aos animais.

Nota: 8,0

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

193 - Garota Levada (Cette Sacrée Gamine / Mademoiselle Pigalle, 1956)


Das comédias mais fracas que BB fez na década de 1950. Achei que foi particularmente pouco divertido. Mesmo que tenha os mesmos ingredientes de outros como "Desfolhando a Margarida" ou "Quer Dançar Comigo?", não foi legal como eles.

Nota: 6,0

192 - O Relojoeiro Cego (The Blind Watchmaker, 1987)


O biólogo e ateísta militante Richard Dawkins realiza um de seus primeiros documentários. Aqui ele procura explicar por que a teoria do "relojoeiro cejo" (que afirma que tudo que existe na natureza deve ter sido criado por uma mente racional) não é acurada. Muito legal.

Nota: 8,0

terça-feira, 7 de setembro de 2010

191 - O Repouso do Guerreiro (Le Repos Du Guerrier, 1962)


Filme baseado no livro homônimo. O diretor Roger Vadim põe Brigitte Bardot para desempenhar um papel dramático. O resultado fica legal. Ela está no auge da beleza e parece imprimir uma fragilidade bem verossímel ao persongam, possivelmente decorrente do turbilhão de tristezas que vivia na vida real.

É legal ver o personagem antes adepto à vida burguesa, regrada e sem questionamentos, abdicar de tudo por amor e se encontrar afundando, mas se interessando cada vez mais por essa sua rebeldia voluntária, como se a rebeldia por si só a pudesse conduzir a uma vida.

O livro de C. Rochefort é bem mais legal. Sei que é um lugar-comum dizer isso, mas é que a desintegração dos conceitos de moral da protagonista está representada de forma muito envolvente. Quando li, há muitos anos atrás, identificava Geniviève como alguém bem diferente de Brigitte. De fato são diferentes e acho que esse ingrediente acaba dando certo na tela.

Em Buzios, praia brasileira que ficou muito famosa depois da passagem de BB por lá, há uma pousada chamada "O Repouso do Guerreiro".

Nota: 8,5

190 - Mary (2005)


Abel Ferrara tenta, acredito, mostrar a influência da religião nas vidas de pessoas que lidam com ela em seus trabalhos. O que achei legal do filme foi mais a visão do que é e o que pode representar a religião, nesse caso a cristã, em nossas vidas.

Como ela pode ser transformadora para os lados positivos e negativos. Como ela pode ser repreensiva, fazer com que as pessoas se tornem intolerantes, e como ela também pode fazer com que as pessoas abram mão da vida que levam em busca de outra melhor. O ritmo do filme não ajuda muito e debates interessantes podem ficar meio soltos. Para mim os melhores momentos são os do programa de televisão, cujo apresentador é interpretado por Forest Whitaker. Marion Cotillard faz participação mínima e especialíssima.

Gosto também da cena em que o diretor do filme se tranca na sala de projeção, a fim de exibir seu filme a qualquer custo. Há o anúncio de que pode haver uma bomba na sala de projeção. Obviamente todos fogem. O diretor grita, "Como podem saber que estão certos?", nesse momento questionando a fé cristã.

Nota: 6,5

189 - A Culpa é do Fidel (La Faute à Fidel!, 2006)


Num lampejo de ira a empregada cubana resmunga que os comunistas são barbudos vermelhos que querem explodir o mundo, ao que a garotinha de nove anos Anna conclui: "A culpa é de Fidel". Este é o filme de Julie Gravas, filha do diretor politicamente engajado Costa-Gravas, que procura mostrar o que acontece a um filhinha de criação burguesa quando seus pais decidem que não vão se vender ao sistema, mas batalhar para promover o bem comum.

A atriz Nina Kervel tem uma atuação brilhante e faz desse filme adorável uma pérola imperdível. Com seu jeito por vezes mau humorado, inteligentíssimo e até esnobe, ela não aceita facilmente a bagunça na qual sua vida se transforma, com barbudos entrando e saindo do apartamento minúsculo. Suas antigas refeições deliciosas agora resumem-se a pratos de arroz e receitas camponesas.

O mais bonito do filme é o despertar de uma mente infantil, completamente egóica, para problemas que tem dimensão universal. Sua entrada sorrateira, com olhos curiosos, para a sala em que a mãe entrevista mulheres que contam suas histórias, numa época em que o aborto era ilegal na França; seu semblante carente de respostas ao fixar o olhar sobre Isabel, a tia que realizou um aborto. Tudo no filme parece ter sido feito com muito cuidado e sensibilidade.

A diretora se baseou no livro italiano de Domitilla Calamai, "Tutta Colpa Di Fidel", e fez um bonito trabalho. Pode-se fazer um paralelo com sua própria vida, crescendo na Paris dos anos 1970s com pais liberalistas. Não deixe de assistir!

Nota: 9,5

188 - Pão Nosso de Cada Dia (Unser täglich Brot, 2005)


Em "Our Daily Bread" a gente acompanha por uma hora e meia imagens dos bastidores da produção de alimentos. As fábricas e fazendas de alta tecnologia apresentadas estão na Europa.

Não há narrativa falada no filme, não se lançam comentários a respeito de modos de produção ou vegetarianismo. Isso é muito interessante. É apenas dizer "olhem". E você olha. Sentimo-nos um mero abajour no meio de uma sala de abate.

As imagens são por vezes incômodas ou tão cotidianas quanto se acordar pela manhã. Uma experiência cinematográfica muito válida que os documentários raramente podem oferecer.

Nota: 9,0

187 - O Natal dos Insetos (Rozhdestvo obitateley lesa, 1913)


Mais um filme de Wladyslaw Starewicz. Neste ele traz novamente o universo dos insetos ao seio da história. O Pai Natal está convidando todos os insetos a celebrarem a festa numa árvore de natal construída no meio da floresta. Técnica de stop motion. Filme realizado em 1913.

Nota: 8,5

186 - Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos (2010)


Zeca tem seus trinta anos, não consegue terminar seu romance (quase não consegue começar), é casado e vive da mesada do pai. Esse filme de Paulo Halm se concentra nessa vida não realizada, mas não lança nenhum julgamento moral sobre o protagonista. Acredito até que o filme quer se manter fora de qualquer coisa mais profunda, permanece uma comédia muito divertida com leves alçadas em temas mais existencialistas.

O pai, interpretado muito bem por Daniel Dantas, é o alicerce moral do filme, sempre tentando fazer com que o filho "acorde para a vida", faça algo dela. A fotografia do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, está muito bonita e o clima boêmio transparece nas andanças ociosas de Zeca. Entre momentos de humor escrachado e inúmeras citações, esse filme agrada mas não inova. Nem é a intenção, o título já é bem auto-explicativo.

Nota: 8,0

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